terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Tempo, tempo, tempo...


A cabeça não pára,
Simplesmente dispara...
Mas não mente!

Dizem que aquarianos estão à frente do tempo...
Que tempo?

Se o referido for o cronológico, então, meus pensamentos já estão em retrospectiva há um bom tempo - contado por meses, dias, horas e infindos segundos,
Numa ordem linear que, sinceramente, me irrita!
A enfadonha sequência em "sentido horário" me remete a uma ditadura mental.
Odeio relógios!
Embora entenda a presença do Coelho Branco em minha vida,
Não posso negar que meus olhos o veem como um tirano do meu tempo,
Estabelecendo meus limites para ir e vir...
Um abuso! Quanta insolência!
O corre-corre insano de estar sempre atrasado me angustia,
O relógio na mão: É tarde, é tarde...
Como pode ser sempre tarde?

Porém, se a referência de tempo for o psicológico,
- Tempo mental que segue o pensamento -
Esta é a inexatidão na qual me apercebo - com todas as flexibilidades e incontáveis valores aproximados...
Ah, esse me faz viajar entre passado, presente e futuro,
Esse me permite Ser, Estar, Ficar, Parecer, Permanecer, Andar e Continuar
- do jeito que eu quero -
Porque o sonho é meu!
E eu posso dar minhas piruetas ou caminhar saltitante por entre as brechas dos tempos:
Meus tempos!
Minhas vontades e reais necessidades!

Flashback - voltar no tempo,
Flashback dentro de outro Flashback - voltar a dois planos do passado,
São tantas possibilidades nesse tempo mental...
Presente, Passado e Futuro se fundem no momento real!
Surreal?
Não... Talvez meus imensuráveis excessos!
Sim, prefiro a perdição...
Chega de limites, horas e compromissos mentais!
Já vivemos acorrentados no rigor da vida terrena:
É tarde, é tarde
É tarde, é tarde, é tarde...
Vou te contar um segredo: Só é tarde para quem acredita que é!
Nunca é tarde para libertar a mente, uma alma,
Ser autêntico,
Ser verdadeiro em sua real existência!
Que venha 2016!
E que eu não perca tempo tentando me encontrar,
Porque estar perdido é a minha forma de caminhar.

(Renata Nunes)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Litoral.

           Adormeci para libertar uma alma aprisionada ao desconexo da realidade. O frio congelava meu corpo e a neblina deixava tudo ao redor sombrio e nebuloso... Meu espírito necessitava respirar – Uma brisa sutil e morna. Só havia um lugar para onde o desejo poderia me levar, mas prometi te levar, lembra? Vem...
            O litoral... A praia deserta, a noite escura, pés descalços, pegadas na areia... A lua... Peguei suavemente em tuas mãos, mergulhei em teus olhos e te fiz olhar para o céu. Te fiz presenciar o céu mais estrelado de nossas vidas. São tantas e tão brilhantes que parecem vagalumes bailando ao nosso redor... Pousei meus olhos em teus lábios e eles estavam entreabertos num sorriso de torpor e encantamento. Sorri feliz, te roubei um beijo estalado e corri...
            Corríamos entre as estrelas, gargalhávamos numa felicidade infantil, pura e ingênua. Paramos quando sentimos a maré baixa nos banhando. Estaquei perplexa ao perceber o quanto nos aproximávamos da lua... A cada passo, ela se agigantava à nossa frente. Notei teu olhar de surpresa, fascinação, incredulidade e expliquei sorrindo: Olha o quanto já caminhamos entre o mar! Sim, estamos em meio a uma Restinga – esta extensa faixa de areia que se prende ao litoral e avança pelo mar. Por isto, conseguimos chegar tão longe... Tão perto da Lua!
            A Lua parecia tocar o final da restinga e, cada passo dado, parecia nos aproximar cada vez mais – ao passo que a mesma se agigantava diante de nossos olhos. Não conseguíamos mais avistar o litoral de onde estávamos. Nossos olhos enxergavam o Belo – a perfeição da Natureza e, isto, nos bastava. Tínhamos a lua iluminando o mar, as estrelas dançando graciosamente ao nosso redor...
            Toquei tuas mãos, fechei os olhos, senti a brisa tocando nossos corpos e senti o teu cheiro... Lentamente, meus olhos se abriram para você... Encostei meu rosto no teu e a carícia desse momento foi mágica. Meus lábios encontraram os teus entreabertos... Nos abraçamos e nos entregamos a um beijo de redenção – Eterno e Apaixonante.
            Sorri para você mordendo os lábios e corri! Brincar de “pega”... Enquanto saltitava na areia, me despia aos poucos para você... Dançava e sorria... Quando saiu do torpor que se encontrava, você foi mais rápida e me alcançou. Eu deixei... Perdi no jogo, mas ganhei você para mim! Tuas mãos tocaram meu corpo molhado... As minhas mãos te desnudaram e te inundaram de prazer... Estávamos completamente nuas... Nossos corpos colados pareciam explodir de excitação – desejo incontido...
            Neste instante, nos transmutamos em uma só carne – duas almas num só corpo. Compusemos a Natureza de forma avassaladora, apaixonante, sedutora e reluzente... Nos Amamos, minha eterna Paixão! 


(Renata Nunes)

terça-feira, 29 de setembro de 2015

(Des)Governo.


Hoje, somente por hoje, acordei em meio à desordem,
Ao caos total e absoluto.
Uma febre interna toma-me a alma e embaralha a mente...
Sinto-me solitária nesse sutil envenenamento
Que Dilacera e Exaspera.
O mal que esta nojenta sociedade me faz
Se compara às cartas de espadas, de paus, de ouro e de copas:
Todas membros da corte,
Ou escravos da mesma?
Como o governo da "Rainha de Coração",
Vejo, nitidamente, a incorporação da paixão desgovernada,
Habitando um mundo não-real,
Juntamente com uma Sociedade austera, formal e frívola.
A Sociedade atual é a Irrealidade que me assusta,
Mas, infelizmente, não consigo ignorar!
Hoje, estou enjoada, aprisionada, amaldiçoada...
E ainda é cedo!
Não, não posso me refugiar no meu mundo subterrâneo...
Quisera poder adentrar Wonderland, 
E, por lá, ficar para todo o sempre...
Sim, Estou muito pior.
Sou Louca e Desvairada!
Mas, quer saber?
Tenho um Amor sincero e profundo pela excentricidade,
O escuro e macabro é o Belo,
A Loucura é minha Sanidade,
Pois é através dela:
Desse não encaixar-me,
Que consigo superar os limites dessa Sociedade
E, posso, enfim, me libertar!
Por mais 24 horas, por favor!

(Renata Nunes)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Minha Insana Realidade.


Meros personagens duma louca mente
Ou Seres Reais numa realidade dormente?
Personalidades distintas,
Uma existência fictícia,
Ou real-ficcional?
Wonderland é um lugar povoado por criaturas
Peculiares e Antropomórficas
- Meu mundo Nonsense -
A lógica do absurdo - Meus excessos...
O país das minhas Insanas Maravilhas existe!
Esse mundo tão meu é o símbolo do crescimento gradual na sabedoria.
Ou apenas meu eterno refúgio - onde tudo é Possível!
Em minha insana perturbação mental,
Habitualmente vejo o Coelho Branco correndo com seu relógio na mão,
Ele me irrita, mas apenas me traz um pouco da consciência necessária...
Ao mesmo tempo, é através dele, que posso adentrar o submundo,
Onde é preciso cair e abandonar a própria vida.
Uma pré-morte que antecede o renascimento
- Profundo, Misterioso, Transcendental - 
Não, não é fácil chegar a Wonderland!
É uma viagem atribulada e solitária,
Dessa humana pobre, nua e cega
À procura do Divino.
Sim, é em Wonderland que, de fato, me encontro e me renovo.
Cada ser que habita esse mundo só meu,
A mim pertence,
Para mim foi gerado,
Por mim clama,
Sem a minha presença arrefece,
Com pressa anseia, cobiça e espera,
Em completo desatino,
Pela chegada dum Ser desvairado chamado:
Alice!
Para voltar ao País das Maravilhas?
Basta conservar o coração puro, transparente,
E ser Louca. Louquinha!
Como minhas amadas e inseparáveis
Alices.

(Renata Nunes)






quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Não é fácil Ser "Eu"...


Oh, meu amado Chapeleiro,
Já não sei mais quem sou!
Alice errada, Alice certa,
Quem, de fato, se importa?
Por hoje, somente por hoje, estou perdida!
Encaro espelhos d'Alma,
Divorcio-me da Calma e...
Sequer consigo enxergar quantas "Alices" há em mim.
Tenho a visão de todas juntas,
Em atos ensandecidos,
À procura da cura,
Almejando a felicidade...
Afinal, onde encontramos a Ventura?
Suplico por uma resposta, meu doce Chapeleiro!
Apenas você é capaz de me entender,
Claro, és igual!
Vamos da Euforia à Atimia,
Do Céu ao Inferno,
Num alucinante Transtorno d'Humor...
Diz, meu Bipolar Chapeleiro,
Essa constante instabilidade ainda há de nos matar?
Sei... Entendo. Porém, não aceito!
Por qual motivo tivemos de nascer assim,
Com polos opostos que nunca se atraem,
E nos induz à total e absoluta LOUCURA?
Derramo Oceanos, Deságuo em águas desconhecidas,
Desapareço numa imensidão Azul,
Um submergir no A-mar...
Meu Chapeleiro Maluco, Eu estou enlouquecendo?
Sim, sempre com esta estranha razão que só os Loucos possuem:
Estou Louca. Louquinha!
Mas dizem que para viver essa lastimável realidade
É preciso ser Louco,
O que, por "sorte", Somos!
Ah, meu admirável Chapeleiro,
Somente você consegue arrancar-me este sorriso...
Posso te contar um segredo?
Se existe um momento no qual sou infinitamente feliz,
É este!
Exatamente esta Hora que não passa e se demora,
Quando estamos juntos,
Aprisionados no tempo e no espaço,
Sendo "Nós",
Tomando nosso alucinógeno e indispensável
Chá!

(Renata Nunes)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Saudade de Mim...


Ah, meu doce Chapeleiro,
Tenho perdido a Hora do Chá!
Perdoe essa Louca Mente necessitada de tantos alucinógenos...
Hoje, acordei sentindo sua falta,
Sentindo-me desabitada, enfraquecida, desvairada...
Efeitos colaterais duma nova medicação?
Tudo está tão incerto nesse mundo nada meu!
Não quero habitar esse mundo de desgostos.
Causa-me repugnância!
Uma ânsia ardente, contrária à própria sede de ânsia...
Salva-me deste torpor que me acomete,
Meu amado Chapeleiro!
Leva-me do jeito que for...
És indispensável!
Sem você, sou apenas uma ínfima parte de mim...
Eu não pertenço a este Mundo!
Por isto, imploro:
Vem ao mundo que habito,
Na hora de sempre,
Me acolhe em teus braços,
Prende-me em teu abraço,
E Voa tendo apenas uma parte de Alice,
Um enlace de encontro ao teu coração...
Minha Alma sorrirá feliz,
Estará leve, Completa
- Inteiramente Louca, Louquinha -
Pousa meu corpo em teu jardim,
Toca-me com teus lábios,
Desperta-me com um beijo...
Meus olhos pousarão nos teus
E revelarão Alívio, Alegria e Alucinação...
Estará tudo Normal.
Estaremos bem...
Em Wonderland somos a dualidade dum único Ser!
Sim, conseguiremos tomar nosso inefável Chá,
Basta chamar:
Acorda, Alice!
Vamos tomar um maravilhoso Chá?
Sim, meu Bipolar Chapeleiro, estaremos juntos para sempre!
- Não, não importa quanto tempo "esse sempre" possa durar -
...
Sentimento Indelével: Saudade...




terça-feira, 1 de setembro de 2015

Febre.

Meu corpo inteiro ferve e o sangue que percorre minhas veias segue seu curso queimando, evaporando... Por fora, tremo gélida, petrificada. A mente delira... Reação adversa desta Febre que me acomete? O suor frio escorre das têmporas, meus dedos arroxeados percorrerem as mil linhas que me cobrem, minha boca balbucia frases desconexas... Por fora o inverno me paralisa. Por dentro... Sou vulcão em plena atividade paranormal... Os neurônios pipocam, explodem! Os pensamentos borbulham, multiplicam-se! A alma é esta fugidia e inefável imagem presente nesta ausência sem nome... Amo você... Amo você e estou por um fio... Doloroso processo de desfiar-me - Um definhar sem fim. Estou morrendo? Estou distante da realidade, numa longínqua terra de ninguém. É lá que, finalmente, posso te encontrar, te possuir, te Amar... A temperatura do meu corpo aumenta. É a febre: efeito colateral de tanto descontrole emocional. Sim, estou pior! Os delírios advindos das entranhas dum ser que sangra transformam-se em peregrinos d'Amor, ainda que a dor da solidão sonde e encarcere os vôos d'Alma... Meus olhos adormeceram e, embora cerrados, enxergaram a luz da vida, o brilho incandescente que só este estado rigorosamente febril pode me proporcionar: Sim, Você estava lá! Braços estendidos para me aninhar, asas abertas para que pudéssemos chegar ao céu... Teu rosto... Teu sorriso... Meu porto! Fizeste uma transmutação para me salvar - meu Ar! Somente este elemento seria capaz de apagar as chamas que me consumiam... Eis que o Fogo era Eu! E através do teu forte e gélido sopro, pude apagar as altas chamas desta paixão. Foi preciso, meu eterno e etéreo Amor... Prefiro o bálsamo do Amor ao vazio e a loucura da Morte prematura - minha condenação por estar perdida, desesperada e completamente apaixonada por Você!

(Renata Nunes)

Alices!


Alice...
O que é a Vida?
A Vida... O que pode ser, senão Sonho?
Sim, estes que realizamos enquanto dormimos...
E, principalmente, os que vivenciamos enquanto despertos,
Estes, sim, são audaciosos, vivem à margem,
Deslizam ao longe - em entressonho.
Não, nada voltará a ser como antes!
Como poderia?
És o excesso do absurdo,
E isto é explicável, existe razão para isto:
Para este Nonsense desvairado...
Há começo, meio e fim para tudo!
Adentraremos agora o Inverno...
Sim, será difícil, mas não Impossível.
Uma Alice encontrará um novo universo,
Com conversa inicial, discussão.
Desafio e dúvida se embaralharão,
Esta buscará a direção!
Ilusão?
A outra, permanecerá Louca. Louquinha!
Sim, existirá um despertar, tu sabes!
E, quem sabe, uma plausível explicação...
Comecemos pelo ápice:
Quem És Tu?
Uma Alice ficou calada, com a cabeça entre as mãos e teve um ínfimo segundo de consciência: Nada voltará ao Normal!
A outra, na sua Hiperatividade anormal, andava gesticulando,
Falando exageradamente...
A linguagem tenta acompanhar a mente,
Inútil. Mente?
Intrigada, Insolente!
Andava necessitada dum certo Chá!
Sim, acalma os nervos...
Eis que ambas se encararam
- Através do Espelho -
- É tarde, Alice, vem comigo!
- Não antes da Hora do Chá!
- É hora de despertar. Acorda, Alice!
- Afinal, Quem És Tu? Alice sou Eu.
- Somos Alices, minha querida... 
- Mas isto é Impossível!
Pararam por uma eternidade diante do antigo espelho...
À princípio, estranheza!
Logo depois, a certeza da dualidade existente num único Ser!
Duas existências numa única Vida...
Por um ínfimo segundo, tudo ficou claro,
Etéreo, Translúcido,
Seguro?
A resposta veio Entreolhares...
Almas se fundiram,
Mundos decretaram Paz!
Alice estava no cerne do espelho.
Poderia Sonhar com Wonderland ou Voltar à dura e cruel realidade...
O que é Viver?
Ser livre para escolher e voar...
É trazer à tona toda a essência de todos os seres existentes na Alma...
É deixá-la Transbordar!
É um permitir-se sem culpa.
E, ainda, Ser:
BIlhões de sentimentos intransitivos;
POrta Voz de Almas ensandecidas;
LAR das muitas moradas de todas as minhas loucas e queridas Alices
- Ser eternamente Transitivo -

(Renata Nunes)







sábado, 29 de agosto de 2015

Reações Adversas.

Anoiteço... Ainda não é a hora, mas adormeço. Sequer vejo o Coelho Branco correndo apressadamente, com seu enfadonho relógio. Não, ainda não é tarde... O portal para Wonderland está lacrado! Eu capturo a sombra dum corpo dormente, entorpecido, amplamente vencido pela droga recomendada, devidamente prescrita (para quê, mesmo? Melhor não pensar!)... Minha alma ronda sem rumo, sonda o ambiente e se depara com o espelho. Sim, o Espelho! O que vejo? Apenas um corpo em sono profundo... Nada mais! Em desespero, Encolho-me num canto do quarto e grito! Meus gritos assemelham-se a súplicas de bebês não paridos, ferindo ouvidos de ninguém. Estou num deserto involuntário e sombrio. Estou só! E a solidão é esta sorrateira companheira, uma fiel escudeira, a carcereira que aprisiona e vigia a alma. Devo ser paciente... Mas não sou! Carrego a inquietude e a angústia no Ser! Dos que precisam, com extrema urgência, Viver! Não me conformo, nunca me contentarei em Sobreviver. A medicação dopa o corpo... Mas a Alma... Ah, essa é como um Corvo: prenúncio da Morte ou da má sorte? Só sei que voa... Vou enlouquecer! E ser Louca numa realidade como esta é como morrer à conta gotas... Wonderland me faz Viver - as insanas maravilhas dum mundo tão meu! Hush, Hush! Podes ouvir? Ouço passos... Quem pode ser? Levanto levemente como se minha alma carregasse o peso de todo o universo e caminho ao encontro dos insistentes passos. Intrigante! Não há ninguém em casa... Deslizei, sutil e morna, por entre os concretos de toda a casa. Esgueirei-me como sombra e... Assombrei-me! Mas isto é Impossível! Não, nada é impossível... Passei tanto tempo numa ausência sem nome que sequer notei a falta do meu próprio corpo na cama... Ou, ainda, a falta da alma na carne. Era Eu! Incontestavelmente, Eu dei passos furtivos para Voar! Minha sombra era Eu sentada em frente à tela do computador: digitando, digitando, digitando... Estava liberta! Wonderland estava à minha espera! Ah, Alice, posso te contar um segredo? O portal nem existe mais. Agora, Vai! Segue teu coração, cumpre tua jornada e alcançarás teu doce destino! És Louca. Louquinha! Mas as melhores pessoas do mundo são assim. Pois então, Vai! Vive intensamente tudo o que deveria ser, mas não é - nesse mundo tão teu. Ah, Wonderland... Que esta dupla realidade (insanidade?) jamais tenha Fim!

(Renata Nunes)

domingo, 23 de agosto de 2015

O que não me mata...

O que não me mata
Encarcera registros inomináveis
Duma época inexistente, mas resistente,
Cuja falta, por si só, maltrata!
Açoita a Alma, Apedreja o Coração, Dilacera a Carne...
Um abominável desconstruir de ilusões.

O que não me mata
Abandona-me em perpétua solidão,
Leva-me à exaustão,
Arranca-me qualquer resquício do que foi em vão,
Turva-me a visão!
Limita, Aprisiona, Enlouquece...
Esquece... Eu. Nós?

O que não me mata
Traz-me perguntas sem respostas,
Ronda minha mente,
A desmente!
Deixa-me dormente...
Por qual motivo NÃO podemos?
O que nos Impede?
Ah, quisera ter a resposta!
Mentira! Não quero palavras!
Quero mesmo é ser Teu vocabulário não-escrito, não-dito.
Inaudito...
Quisera jorrar da tua alma,
Através dos teus lábios,
Num laborioso monólogo sem fim...

O que ainda não me mata
Faz de mim uma refém!
Sequestro sem vítimas,
Sem ligações, sem espera, sem resgate!
Sem preço... Sem apreço...
Só Eu carrego estas amargas lástimas?
Anda, algoz companheiro,
Finaliza-me por inteiro,
Que seja breve, meu derradeiro fim.

O que não mata meu corpo,
Mata-me de falta!
Faz minh'alma morrer pouco a pouco...
Ah, quanto desgosto:
Sentir o sufocar da mente,
O almejar dum coração que anda doente,
Nesse silencioso suicidar...
Sinto muito!
Sinto tanto, mas tanto,
Que me desfigurei inteira,
E me joguei 
- sem eira, nem beira -
Para me transmutar em teu eterno e insistente pranto.

(Renata Nunes)






sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Coelho Branco.

Ah, meu irrequieto Coelho Branco,
Por qual motivo tanto me torturas,
Levando-me à loucura,
Fazendo-me do tempo lembrar?
Oh, seja franco!
Quem és tu, afinal?
Não, evito pensar! E...
Odeio relógios!
Eles sempre fazem a hora passar.
Rápido, muito rápido,
Tanto, que torna-se tarde...
Hora de remédio, Hora de dormir, Hora de despertar, Hora de voltar...
Ora! Que coisa!
Tanto compromisso para lembrar!
Não... Eu não quero!
Se eu fosse a rainha, andaria a gritar:
Quebrem todos os relógios!
Quem sabe assim poderia parar, perdida nas horas...
E não haveria tempo para recordar.
O que é o tempo?
Anda, responde!
Sabes o que ele representa?
Para você, um atraso, com certeza!
Vive apressado, correndo como louco...
Para mim... Calma! Vou te contar,
Em segredo:
O tempo é o algoz que me aprisiona,
Nesta inútil e insensata realidade,
Sim, prefiro a Insanidade!
Então, por favor, eu suplico:
Se queres fazer parte desse mundo tão meu,
Abandona a Hora...
Transforma-te em eternos segundos!
É tão mais mágico... Prender-se ao Agora!
Vem comigo,
A pressa é inimiga do coração!
Vamos nos libertar!
Sim, nesse caso, precisamos dum certo Chá.
Esqueçamos esse som infernal,
E mergulhemos nas brumas da inconsciência!
Para quê ter ciência?
Ah, chegamos!
Viu? Sempre é tempo...
Quando nos abandonamos sem hora para voltar,
Sempre, sempre é Hora do Chá!

(Renata Nunes)



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Your body is a Wonderland...




Rápido, Rápido!
É hora do Chá!
Lá vai o Coelho com seu insistente relógio,
Fazendo seu interminável e irritante:
Tic tac, tic tac, tic tac...
É tarde, é tarde,
É tarde, é tarde, é tarde!
Ai, ai, meu Deus...
Quanta pressa!
Estamos caindo...
À caminho dum maravilhoso sub-mundo!
- Avesso do Real -
Não se preocupe, Cair não dói!
Estamos voando...
Estou sorrindo...
...
Sempre pontual, meu adorável Chapeleiro!
Adoro o cheiro desse lugar...
Ah, permita-me te apresentar!
Trouxe uma companhia hoje...
Encantada, não é?
Sim, o olhar dela é penetrante,
Algo alucinante...
O teu também é!
És apaixonante, meu louco Chapeleiro...
Sim, aceitamos uma xícara de Chá!
Claro que podes nos contar um segredo!
Teu jardim será só nosso?
Preparaste um Chá apenas para nós duas?
Intrigante! Como sabias que estaríamos aqui hoje?
Nós duas...
Sempre com a razão, meu doce Chapeleiro:
Melhor não saber...
Qual a necessidade de pensar, não é mesmo?
Podes nos levar até o jardim?
Sim, antes, brindemos! Tomemos mais Chá!
...
O jardim estava repleto, florido, colorido...
Havia uma toalha branca bordada,
Delicadamente colocada sobre as flores,
Nos convidando para um distinto Chá
Ai, ai, meu amado Chapeleiro,
Está tudo tão perfeito!
Chapeleiro?
Desapareceu!
Imaginei... Estamos sozinhas!
Vem...
Aceitas mais uma gota de Chá?
Sim, sempre!
Olha ao redor...
Tão Monet!
Ou nossos olhos estão turvos?
Não importa! Adoro tudo o que vejo e desejo...
Olha, a Lua anda a sorrir!
Um brinde à Magia da Natureza,
Ao Avesso...
Consigo me enxergar em teus olhos...
Tuas pupilas estão dilatadas...
Consegues te enxergar em mim?
Chega mais perto...
Deixa... Adoro quando teu cabelo cai sobre teu rosto!
Me olha...
Devagar...
O que enxergas é pura beleza,
Teu reflexo!
Coloca tua mão em minha nuca,
Cerra meus olhos com um beijo,
E faz da minha boca uma fonte incessante de prazer
- Miragem na secura d'alma -
...
Estávamos sob o sorriso da Lua e o brilho das Estrelas,
Sentadas em meio às lapidadas porcelanas do Chá.
As flores haviam crescido tanto desde a minha última visita,
Que pareciam nuvens
- Um paraíso na terra -
Beijaste minha boca com ternura,
Mas o vento soprou,
O Fogo aumentou,
E as mordidas que recebia em meus lábios
Faziam-me estremecer!
Dos ternos e doces beijos,
Fomos aos entorpecentes, loucos, apaixonados e sôfregos lampejos!
Desejo contido, inaudito...
À beira da loucura,
Não conseguíamos mais parar...
Soltaste minha boca, e a tua percorreu minha nuca,
Afastou meus cabelos,
Encontrou os botões do meu vestido...
Ainda estava de olhos fechados,
Sentia tua boca percorrendo minhas costas,
Enquanto tuas mãos desabrochavam cada botão...
Tuas mãos deslisaram (entre as alças do vestido) através de meus braços
Até chegar em minhas mãos...
As alças do vestido se soltaram,
Ainda de costas, tocaste meus seios,
Senti os teus em meu corpo...
Me viraste, abri os olhos,
E fiquei alucinada com tamanha graça e formosura,
Corpos despidos sob a luz da noite...
Me pegaste no colo,
Num perfeito encaixar-se,
Nos beijamos...
Me doei para você,
Inteira...
A noite foi cúmplice
Dos sussurros e gemidos,
Da loucura de colar meu corpo no teu,
Dos movimentos sincronizados numa perfeita harmonia,
Do prazer indescritível,
Do tesão impalpável,
Da Loucura de Amar você...
Caminhei entre tuas pernas,
Minha língua percorreu teus seios,
Minhas mãos te apertavam,
Corpo e Alma tremiam!
Me deliciei com um outro e dulcíssimo Chá,
Aliciante... Alucinógeno...
Nos perdemos no desvario, na ânsia insana do fruir...
Chegamos juntas ao ápice,
Apogeu do prazer!
Cume do regozijar...
Sim, eu morri!
D'Amor... De tanto Amar!
Mas continuei viva para, ainda, olhar em teus olhos
E declarar:
Eu Amo Você...
Hei de Amar-te até Wonderland acabar!
Mas, Posso te contar um segredo?
Wonderland para sempre, em mim, Viverá...


(Renata Nunes)


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Fogo e Ar - Amar!

Despi-me de meu próprio corpo e fui.
Como pétalas de Dentes de Leão,
Deixei-me levar, voar...
O vento foi meu guia
– Meu Elemento: Ar! –
Estavas entorpecida... Belamente adormecida!
Sorri... Sempre sorrio para você!
Meus olhos pousaram em teu corpo despido,
Perfeitamente esculpido,
Levei uma eternidade nesse admirar-te!
Até que, seja pela suave brisa que te tocava,
Ou pelos olhos famintos que queriam devorar-te,
Enfim, teus olhos fixaram os meus...
Sorri,
Estendi a mão,
Estremeci ao leve toque da tua pele na minha...
Embora trêmula, te conduzi...
Através do Espelho
– Reflexo de campos floridos –
Adentramos em nosso Jardim Secreto...
Som ambiente? A Natureza em movimento!
Estávamos encantadas com tamanha beleza,
Tudo ao nosso redor era tão perfeito, discreto...
Foi indescritível ver-te a favor do vento...
Cabelos soltos, revoltos...
Minhas mãos não resistiram,
Tentei, em vão, alinhá-los,
Mas o vento soprava forte neste momento.
Ou era Eu? Ar virando tempestade?
E foi com a leveza do Ar que meus lábios tocaram tua mão,
– Carícia de quem Ama –
Meus lábios percorreram suavemente teu abraço,
Teus cabelos, teu rosto,
Tua boca!
Ah, esse encontro foi mágico...
Fechei os olhos e sorri no teu sorriso.
Nossas bocas bailaram no ritmo do Ar...
Dançaram, rodopiaram ao som da mais bela canção,
Nas batidas dum só coração!
Eternizamos um beijo arduamente desejado.
Abri os olhos e te olhei tão de perto,
Que me enxerguei inteirinha em você.
Eis que o Ar soprou mais forte,
E acendeu as chamas dum Fogo adormecido!
Ar e Fogo... Fogo e Ar?
Não importa! A ordem é só uma: Amar...
Minha pele estremeceu, pegou fogo!
Seios se tocando, mãos me apertando, bocas beijando...
Estávamos Voando!
A lua sorriu e nos presenteou com a luminosidade das estrelas,
Sim, fomos ao céu, meu amor!
És linda! Perfeição da Natureza...
Minha boca sorriu em cada parte do teu corpo,
Meus cílios te acariciaram inteira,
Sofregamente, Ensandecidamente!
Estávamos Loucas! Louquinhas...
O Fogo, as Chamas crepitando...
O Ar alimentando...
Explodimos de prazer!
Ah, como é bom viver!
O fogo nos fez derreter, nos transformou num só corpo.
Corpos colados, inseparáveis...
O Ar nos fez delirar...
“Começo, Meio e Fim” – Inexistência em desvarios intermináveis.
Fizemos da Eternidade o nosso momento.
Não, não paramos,
Somos Insaciáveis!
Aprisionamo-nos na Ânsia de Amar
Em excesso!
Perdemos a hora, nos abandonamos num paraíso só nosso...
Ah, como é bom Morrer de Amor e continuar vivendo!
Vou te contar um segredo:
Tempo e Distância jamais me impedirão de te Amar...
Quando a luz dum novo dia tocou minha alma,
Voltei ao corpo (inundado e estremecido),
Meus olhos abriram vagarosamente...
Senti teu cheiro no Ar,
Fechei os olhos instantaneamente!
Sorri...
Ah, como é bom sonhar!



(Renata Nunes)

quinta-feira, 13 de agosto de 2015


Meu amado Chapeleiro Maluco... 
Precisarei sempre duma xícara do teu aliciante Chá!

Alice através do Espelho.





Nem preciso esperar,
Já me lancei no espelho.
E o coelho?
Será que, finalmente, abandonou o tempo?
...
A neve caía lá fora,
Agasalhando as árvores e os campos.
Meus olhos se debruçaram sobre a janela,
E o doce som do gelo na vidraça
Soava levemente...
Sonolência ou Fantasia?
Um terno e gélido beijo...
O inverno parece indiferente,
Mas nos ama, tanto que nos faz adormecer
Hibernar...
Num torpor para esperar o vento soprar,
Num uivo de liberdade!
Os bosques,então, se vestem de verde e bailam...
...
Engraçado, quando estou do outro lado, não consigo me tocar.
Que coisa!
Agora me vejo adormecida e estou aqui.
Do outro lado do espelho posso, enfim, me alcançar!
Vejo o fogo crepitar,
Estou queimando por dentro.
É preciso correr!
Correr muito rápido para continuar no mesmo lugar.
E correr o dobro para acompanhar minha mente,
Minhas ideias, meus ideais...
Minha vontade de viver!
Chorei...
Lágrimas geradas como o orvalho nascido na gelidez da madrugada.
Eu sou real?
Claro que sou! Ou estas lágrimas não existiriam.
Ou até elas podem ser irreais?
Que confuso!
Prefiro acreditar no impossível.
Esta é apenas uma das coisas que considerei impossível quando acordei hoje pela manhã.
...
Muito prazer, eu sou Alice!
Não, não sei o significado do meu nome.
Isso é importante?
Talvez meu nome tenha tantos significados que ficaria difícil falar...
Deve ser a junção de todos meus "Eus".
Por favor, não me faça pensar!
Não agora...
Preciso ir! É tarde...
Preciso saber onde estou.
Já sei, a Colina!
Vou escalá-la e, bem do alto, meus olhos alcançarão todas estas distâncias.
...
Um tabuleiro de Xadrez?
Tudo aqui é nonsense...
Que coisa!
Vou começar avançando duas casas,
Talvez, dessa forma, consiga realizar esta estranha travessia.
Não, não dá para pensar!
Como vou traçar uma linha unidirecional deste contexto?
É necessário capturar o Rei...
Que Rei?
Só lembro da Rainha Vermelha!
Afinal, Quem sou eu no jogo?
Intrigante...
Não, não sei quem sou!
Sequer tenho a fórmula para um Xeque-Mate!
Onde vim parar?
E o Chapeleiro?
Por onde andas que não vens me salvar?
...
Sim, agora percebo... És tu! Tu jogarás!
Que delícia me abandonar para que possas me movimentar!
Sim, sempre sorrio para você,
Meu incomparável Chapeleiro!
Podes me guiar...
Confio em nossa conexão!
Não, não tenho mais medo.
Claro, podes começar!
Posso te contar um segredo, meu adorável Chapeleiro?
Para que possa vivenciar e ganhar esta partida,
Sim, Eu necessito do teu Chá!
És minha riqueza!
Claro que não esquecerias!
Teu estonteante Chá...
Adoro absorver cada gotinha até ficar leve como o vento...
Sim, preciso estar leve para que possas me movimentar.
Sabe-se lá o que irei enfrentar!
Teus olhos já estão como eu gosto...
Já me vejo... Meu reflexo, meu Não-Eu!
Sim, agora estou pronta!
Vamos brindar,
E começar a jogar!

(Renata Nunes)