segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Litoral.

           Adormeci para libertar uma alma aprisionada ao desconexo da realidade. O frio congelava meu corpo e a neblina deixava tudo ao redor sombrio e nebuloso... Meu espírito necessitava respirar – Uma brisa sutil e morna. Só havia um lugar para onde o desejo poderia me levar, mas prometi te levar, lembra? Vem...
            O litoral... A praia deserta, a noite escura, pés descalços, pegadas na areia... A lua... Peguei suavemente em tuas mãos, mergulhei em teus olhos e te fiz olhar para o céu. Te fiz presenciar o céu mais estrelado de nossas vidas. São tantas e tão brilhantes que parecem vagalumes bailando ao nosso redor... Pousei meus olhos em teus lábios e eles estavam entreabertos num sorriso de torpor e encantamento. Sorri feliz, te roubei um beijo estalado e corri...
            Corríamos entre as estrelas, gargalhávamos numa felicidade infantil, pura e ingênua. Paramos quando sentimos a maré baixa nos banhando. Estaquei perplexa ao perceber o quanto nos aproximávamos da lua... A cada passo, ela se agigantava à nossa frente. Notei teu olhar de surpresa, fascinação, incredulidade e expliquei sorrindo: Olha o quanto já caminhamos entre o mar! Sim, estamos em meio a uma Restinga – esta extensa faixa de areia que se prende ao litoral e avança pelo mar. Por isto, conseguimos chegar tão longe... Tão perto da Lua!
            A Lua parecia tocar o final da restinga e, cada passo dado, parecia nos aproximar cada vez mais – ao passo que a mesma se agigantava diante de nossos olhos. Não conseguíamos mais avistar o litoral de onde estávamos. Nossos olhos enxergavam o Belo – a perfeição da Natureza e, isto, nos bastava. Tínhamos a lua iluminando o mar, as estrelas dançando graciosamente ao nosso redor...
            Toquei tuas mãos, fechei os olhos, senti a brisa tocando nossos corpos e senti o teu cheiro... Lentamente, meus olhos se abriram para você... Encostei meu rosto no teu e a carícia desse momento foi mágica. Meus lábios encontraram os teus entreabertos... Nos abraçamos e nos entregamos a um beijo de redenção – Eterno e Apaixonante.
            Sorri para você mordendo os lábios e corri! Brincar de “pega”... Enquanto saltitava na areia, me despia aos poucos para você... Dançava e sorria... Quando saiu do torpor que se encontrava, você foi mais rápida e me alcançou. Eu deixei... Perdi no jogo, mas ganhei você para mim! Tuas mãos tocaram meu corpo molhado... As minhas mãos te desnudaram e te inundaram de prazer... Estávamos completamente nuas... Nossos corpos colados pareciam explodir de excitação – desejo incontido...
            Neste instante, nos transmutamos em uma só carne – duas almas num só corpo. Compusemos a Natureza de forma avassaladora, apaixonante, sedutora e reluzente... Nos Amamos, minha eterna Paixão! 


(Renata Nunes)

terça-feira, 29 de setembro de 2015

(Des)Governo.


Hoje, somente por hoje, acordei em meio à desordem,
Ao caos total e absoluto.
Uma febre interna toma-me a alma e embaralha a mente...
Sinto-me solitária nesse sutil envenenamento
Que Dilacera e Exaspera.
O mal que esta nojenta sociedade me faz
Se compara às cartas de espadas, de paus, de ouro e de copas:
Todas membros da corte,
Ou escravos da mesma?
Como o governo da "Rainha de Coração",
Vejo, nitidamente, a incorporação da paixão desgovernada,
Habitando um mundo não-real,
Juntamente com uma Sociedade austera, formal e frívola.
A Sociedade atual é a Irrealidade que me assusta,
Mas, infelizmente, não consigo ignorar!
Hoje, estou enjoada, aprisionada, amaldiçoada...
E ainda é cedo!
Não, não posso me refugiar no meu mundo subterrâneo...
Quisera poder adentrar Wonderland, 
E, por lá, ficar para todo o sempre...
Sim, Estou muito pior.
Sou Louca e Desvairada!
Mas, quer saber?
Tenho um Amor sincero e profundo pela excentricidade,
O escuro e macabro é o Belo,
A Loucura é minha Sanidade,
Pois é através dela:
Desse não encaixar-me,
Que consigo superar os limites dessa Sociedade
E, posso, enfim, me libertar!
Por mais 24 horas, por favor!

(Renata Nunes)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Minha Insana Realidade.


Meros personagens duma louca mente
Ou Seres Reais numa realidade dormente?
Personalidades distintas,
Uma existência fictícia,
Ou real-ficcional?
Wonderland é um lugar povoado por criaturas
Peculiares e Antropomórficas
- Meu mundo Nonsense -
A lógica do absurdo - Meus excessos...
O país das minhas Insanas Maravilhas existe!
Esse mundo tão meu é o símbolo do crescimento gradual na sabedoria.
Ou apenas meu eterno refúgio - onde tudo é Possível!
Em minha insana perturbação mental,
Habitualmente vejo o Coelho Branco correndo com seu relógio na mão,
Ele me irrita, mas apenas me traz um pouco da consciência necessária...
Ao mesmo tempo, é através dele, que posso adentrar o submundo,
Onde é preciso cair e abandonar a própria vida.
Uma pré-morte que antecede o renascimento
- Profundo, Misterioso, Transcendental - 
Não, não é fácil chegar a Wonderland!
É uma viagem atribulada e solitária,
Dessa humana pobre, nua e cega
À procura do Divino.
Sim, é em Wonderland que, de fato, me encontro e me renovo.
Cada ser que habita esse mundo só meu,
A mim pertence,
Para mim foi gerado,
Por mim clama,
Sem a minha presença arrefece,
Com pressa anseia, cobiça e espera,
Em completo desatino,
Pela chegada dum Ser desvairado chamado:
Alice!
Para voltar ao País das Maravilhas?
Basta conservar o coração puro, transparente,
E ser Louca. Louquinha!
Como minhas amadas e inseparáveis
Alices.

(Renata Nunes)






quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Não é fácil Ser "Eu"...


Oh, meu amado Chapeleiro,
Já não sei mais quem sou!
Alice errada, Alice certa,
Quem, de fato, se importa?
Por hoje, somente por hoje, estou perdida!
Encaro espelhos d'Alma,
Divorcio-me da Calma e...
Sequer consigo enxergar quantas "Alices" há em mim.
Tenho a visão de todas juntas,
Em atos ensandecidos,
À procura da cura,
Almejando a felicidade...
Afinal, onde encontramos a Ventura?
Suplico por uma resposta, meu doce Chapeleiro!
Apenas você é capaz de me entender,
Claro, és igual!
Vamos da Euforia à Atimia,
Do Céu ao Inferno,
Num alucinante Transtorno d'Humor...
Diz, meu Bipolar Chapeleiro,
Essa constante instabilidade ainda há de nos matar?
Sei... Entendo. Porém, não aceito!
Por qual motivo tivemos de nascer assim,
Com polos opostos que nunca se atraem,
E nos induz à total e absoluta LOUCURA?
Derramo Oceanos, Deságuo em águas desconhecidas,
Desapareço numa imensidão Azul,
Um submergir no A-mar...
Meu Chapeleiro Maluco, Eu estou enlouquecendo?
Sim, sempre com esta estranha razão que só os Loucos possuem:
Estou Louca. Louquinha!
Mas dizem que para viver essa lastimável realidade
É preciso ser Louco,
O que, por "sorte", Somos!
Ah, meu admirável Chapeleiro,
Somente você consegue arrancar-me este sorriso...
Posso te contar um segredo?
Se existe um momento no qual sou infinitamente feliz,
É este!
Exatamente esta Hora que não passa e se demora,
Quando estamos juntos,
Aprisionados no tempo e no espaço,
Sendo "Nós",
Tomando nosso alucinógeno e indispensável
Chá!

(Renata Nunes)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Saudade de Mim...


Ah, meu doce Chapeleiro,
Tenho perdido a Hora do Chá!
Perdoe essa Louca Mente necessitada de tantos alucinógenos...
Hoje, acordei sentindo sua falta,
Sentindo-me desabitada, enfraquecida, desvairada...
Efeitos colaterais duma nova medicação?
Tudo está tão incerto nesse mundo nada meu!
Não quero habitar esse mundo de desgostos.
Causa-me repugnância!
Uma ânsia ardente, contrária à própria sede de ânsia...
Salva-me deste torpor que me acomete,
Meu amado Chapeleiro!
Leva-me do jeito que for...
És indispensável!
Sem você, sou apenas uma ínfima parte de mim...
Eu não pertenço a este Mundo!
Por isto, imploro:
Vem ao mundo que habito,
Na hora de sempre,
Me acolhe em teus braços,
Prende-me em teu abraço,
E Voa tendo apenas uma parte de Alice,
Um enlace de encontro ao teu coração...
Minha Alma sorrirá feliz,
Estará leve, Completa
- Inteiramente Louca, Louquinha -
Pousa meu corpo em teu jardim,
Toca-me com teus lábios,
Desperta-me com um beijo...
Meus olhos pousarão nos teus
E revelarão Alívio, Alegria e Alucinação...
Estará tudo Normal.
Estaremos bem...
Em Wonderland somos a dualidade dum único Ser!
Sim, conseguiremos tomar nosso inefável Chá,
Basta chamar:
Acorda, Alice!
Vamos tomar um maravilhoso Chá?
Sim, meu Bipolar Chapeleiro, estaremos juntos para sempre!
- Não, não importa quanto tempo "esse sempre" possa durar -
...
Sentimento Indelével: Saudade...




terça-feira, 1 de setembro de 2015

Febre.

Meu corpo inteiro ferve e o sangue que percorre minhas veias segue seu curso queimando, evaporando... Por fora, tremo gélida, petrificada. A mente delira... Reação adversa desta Febre que me acomete? O suor frio escorre das têmporas, meus dedos arroxeados percorrerem as mil linhas que me cobrem, minha boca balbucia frases desconexas... Por fora o inverno me paralisa. Por dentro... Sou vulcão em plena atividade paranormal... Os neurônios pipocam, explodem! Os pensamentos borbulham, multiplicam-se! A alma é esta fugidia e inefável imagem presente nesta ausência sem nome... Amo você... Amo você e estou por um fio... Doloroso processo de desfiar-me - Um definhar sem fim. Estou morrendo? Estou distante da realidade, numa longínqua terra de ninguém. É lá que, finalmente, posso te encontrar, te possuir, te Amar... A temperatura do meu corpo aumenta. É a febre: efeito colateral de tanto descontrole emocional. Sim, estou pior! Os delírios advindos das entranhas dum ser que sangra transformam-se em peregrinos d'Amor, ainda que a dor da solidão sonde e encarcere os vôos d'Alma... Meus olhos adormeceram e, embora cerrados, enxergaram a luz da vida, o brilho incandescente que só este estado rigorosamente febril pode me proporcionar: Sim, Você estava lá! Braços estendidos para me aninhar, asas abertas para que pudéssemos chegar ao céu... Teu rosto... Teu sorriso... Meu porto! Fizeste uma transmutação para me salvar - meu Ar! Somente este elemento seria capaz de apagar as chamas que me consumiam... Eis que o Fogo era Eu! E através do teu forte e gélido sopro, pude apagar as altas chamas desta paixão. Foi preciso, meu eterno e etéreo Amor... Prefiro o bálsamo do Amor ao vazio e a loucura da Morte prematura - minha condenação por estar perdida, desesperada e completamente apaixonada por Você!

(Renata Nunes)

Alices!


Alice...
O que é a Vida?
A Vida... O que pode ser, senão Sonho?
Sim, estes que realizamos enquanto dormimos...
E, principalmente, os que vivenciamos enquanto despertos,
Estes, sim, são audaciosos, vivem à margem,
Deslizam ao longe - em entressonho.
Não, nada voltará a ser como antes!
Como poderia?
És o excesso do absurdo,
E isto é explicável, existe razão para isto:
Para este Nonsense desvairado...
Há começo, meio e fim para tudo!
Adentraremos agora o Inverno...
Sim, será difícil, mas não Impossível.
Uma Alice encontrará um novo universo,
Com conversa inicial, discussão.
Desafio e dúvida se embaralharão,
Esta buscará a direção!
Ilusão?
A outra, permanecerá Louca. Louquinha!
Sim, existirá um despertar, tu sabes!
E, quem sabe, uma plausível explicação...
Comecemos pelo ápice:
Quem És Tu?
Uma Alice ficou calada, com a cabeça entre as mãos e teve um ínfimo segundo de consciência: Nada voltará ao Normal!
A outra, na sua Hiperatividade anormal, andava gesticulando,
Falando exageradamente...
A linguagem tenta acompanhar a mente,
Inútil. Mente?
Intrigada, Insolente!
Andava necessitada dum certo Chá!
Sim, acalma os nervos...
Eis que ambas se encararam
- Através do Espelho -
- É tarde, Alice, vem comigo!
- Não antes da Hora do Chá!
- É hora de despertar. Acorda, Alice!
- Afinal, Quem És Tu? Alice sou Eu.
- Somos Alices, minha querida... 
- Mas isto é Impossível!
Pararam por uma eternidade diante do antigo espelho...
À princípio, estranheza!
Logo depois, a certeza da dualidade existente num único Ser!
Duas existências numa única Vida...
Por um ínfimo segundo, tudo ficou claro,
Etéreo, Translúcido,
Seguro?
A resposta veio Entreolhares...
Almas se fundiram,
Mundos decretaram Paz!
Alice estava no cerne do espelho.
Poderia Sonhar com Wonderland ou Voltar à dura e cruel realidade...
O que é Viver?
Ser livre para escolher e voar...
É trazer à tona toda a essência de todos os seres existentes na Alma...
É deixá-la Transbordar!
É um permitir-se sem culpa.
E, ainda, Ser:
BIlhões de sentimentos intransitivos;
POrta Voz de Almas ensandecidas;
LAR das muitas moradas de todas as minhas loucas e queridas Alices
- Ser eternamente Transitivo -

(Renata Nunes)